A Romaria de Loreto nos dias atuais

5–7 minutos

A devoção à Imaculada Mãe de Deus em sua sagrada Morada foi mantida continuamente até nossos tempos. As paredes sagradas nunca deixaram de ser cercadas por peregrinos piedosos, especialmente nas festas do nascimento da Santíssima Virgem, sua Anunciação e Trasladação da Santa Casa para a Itália. Os vinte e sete mil bilhetes entregues anualmente na estação, longe de exceder o número de peregrinos, ficam muito aquém; pois a grande maioria são camponeses italianos, que não vêm de trem, mas a pé, de Nápoles e através dos Apeninos — uma peregrinação muito mais atraente e inspiradora. Ouça como os vales e as florestas ressoam com suas melodias emocionantes!

Ao aproximar-se da cidade de Maria no festival de sua Natividade, podem ser vistos fora dos portões carroças cobertas e veículos de todos os tipos, estacionados ao lado da estrada e estendendo-se por uma distância considerável.

A Porta Romana leva à rua central, que é a estrada direta para o Santuário. Ninguém poderia deixar de se impressionar com o espetáculo que aqui encontra seus olhos. Multidões de peregrinos lotam o caminho. Procissões avançam em direção à Basílica. O canto é muito emocionante. A cidade inteira ressoa com o refrão: Evviva Maria e Chi la creò! (Viva Maria, e Aquele que a criou). Radiantes de alegria estão todos os rostos, enquanto avançamos em direção ao Santuário. Um único pensamento preenche todos os seios – A Santa Casa! Atravessando as portas de bronze da Basílica, eles vislumbram pela primeira vez o objeto de sua peregrinação, e a visão da Santa Casa leva muitos às lágrimas.

Sublime de fato são os momentos passados nesta abençoada Morada. Cenas divinamente inefáveis passam diante dos olhos da mente. O nascimento de Maria, seus primeiros anos e a vinda de São Gabriel; a infância e a vida oculta de Jesus; o espetáculo incomparável da humildade do Filho de Deus, velando o esplendor de Sua Majestade sob a aparência externa do filho de um carpinteiro e trabalhando sob suas ordens.

Ao final de um longo dia de trabalho na oficina, vemos o Senhor descansando um pouco no lar da família e sentando-se à mesa para comer o que as mãos amorosas de Sua Mãe Lhe prepararam. Como os três anjos na tenda de Abraão, a Sagrada Família participa da refeição noturna. Parece que estamos ao lado desta mesa na Santa Casa, assim como nosso pai Abraão estava ao lado daquela mesa no vale de Mambre, e Sara ouviu atrás da porta. Parece que ouvimos sua abençoada conversa, contemplamos o divino sorriso de Jesus e ouvimos as graciosas palavras que procedem de Seus lábios. Com que simpatia Seu filho mostra, em cada olhar e gesto, Seu amor profundo e filial, e como o Cristo Ele lhes abre os tesouros de Seu Sagrado Coração.

Felizes os cristãos que, visitando esta casinha, conseguem evocar dentro das suas paredes as memórias de Nazaré. É para fazer com que essas cenas vivam em nossa mente e alimentem nossa alma que esta morada sagrada nos foi dada. Todas as ações da Sagrada Família são uma luz para iluminar nossos corações. Nenhum outro se parecia tanto com Jesus quanto Maria e José, e é uma graça muito grande ser privilegiado em entrar em sua Casa e imaginá-los cumprindo seus deveres com perfeição e de acordo com seu modelo celestial.

Para honrar o trabalho doméstico de Maria, as princesas muitas vezes pediram permissão para varrer o chão da Santa Casa de joelhos. E quem pode permanecer imóvel dentro daquelas paredes, onde a Rainha do Céu executou tarefas tão humildes? É verdade que no serviço de Deus nenhuma tarefa é insignificante; e a fé de Maria no Deus a quem ela servia enobrecera suas ações mais comuns. Enquanto nesta humilde cabana a mais abençoada entre as mulheres estava ocupada em seus deveres domésticos, tudo o que ela fazia era permeado pelo amor divino.

Se ao entrar na Santa Casa não podemos com estes olhos ver a Santíssima Virgem ocupada em fiar, nem mesmo, como Santo Antonino, o Mártir, inclinar nossos olhares sobre seu fuso, sua cesta e seu assento, podemos perceber que, enquanto suas mãos girava aquele fuso, sua mente girava as palavras de Jesus e seu coração meditava nas palavras da Sabedoria Eterna Encarnada.

Maria, tão simples nos deveres ordinários da vida cotidiana, era capaz de elevar-se à mais sublime contemplação da Divindade. Seus atos de adoração superavam os dos Serafins, e seu coração era o Incensário do Espírito Santo!

Façamos uma imagem mental da Virgem de Nazaré em oração na Santa Casa. A pequena lâmpada lança um raio brilhante sobre uma forma, cuja graça e beleza são a imagem de sua alma. Uma beleza que não parece ser desta terra, pertence àquela cuja natureza é Imaculada. Na sua presença respiramos a atmosfera do Paraíso!

É a hora da oração. Seu longo véu cai até os joelhos. Ela está voltada para a Cidade Santa. Suas mãos e olhos estão levantados para Jerusalém acima. A luz celestial que permeia sua alma ilumina todo o seu semblante. Sobre as asas do amor, seu espírito voa para os reinos que a aguardam como sua Rainha. Nenhuma nuvem esconde a visão de seu Deus. Seus olhos contemplam as maravilhas da Divindade. Ela está perdida em admiração e contemplação adoradora da beleza e da glória de seu Criador.

Maria em oração na Santa Casa! Imagine-a como quiser, é uma cena que deve emocionar o peregrino, quando ele se ajoelha onde a Santa Mãe de Deus rezou. Que ajuda a devoção para unir nossas súplicas e nossas ações de graças àquelas oferecidas por nossa Mãe Imaculada durante sua residência quase vitalícia nesta sagrada Morada!

Vamos representá-la novamente como elevando seu coração a Deus na Santa Missa. Depois da Ascensão do Senhor, uma parte da Santa Casa tornou-se uma capela. Um altar marcava o local consagrado pela Encarnação. O Cordeiro de Deus imolado naquele altar ali onde Ele tomou a Natureza Humana. O Calvário foi levado a Nazaré. Naquele mesmo local onde Maria disse, Faça-se em mim segundo a tua palavra, ela permaneceu ao lado do Sacrifício místico. Ao seu lado, como ao pé da cruz, viam-se Madalena, Salomé e Maria de Cléofas, que estiveram associadas a ela em suas dores – no altar São João, o discípulo amado de seu Filho crucificado.

As missas foram oferecidas com tanta devoção como quando a própria Maria estava presente? Já houve tal recepção dada a Jesus descendo sobre um altar como onde Sua própria Mãe estava lá para recebê-lo? E em que lugar o seu coração materno receberia o seu Filho com tanto êxtase como naquele Quarto, onde pela primeira vez recebeu do Céu o Senhor por mensagem do grande Arcanjo?

Em memória daquelas fervorosas missas celebradas na Santa Casa, onde Maria concebeu e cuidou de seu Divino Filho, assistamos de coração e alma às missas celebradas em Loreto. Maria virá conosco ao pé do altar, e apresentará a Jesus nossa adoração e nossos votos.

FONTE: “LORETO THE NEW NAZARETH AN ITS CENTENARY JUBILEE” – POR WILLIAM GARRATT M. A. – 1895.

Uma resposta para “A Romaria de Loreto nos dias atuais”.

  1. Avatar de Júlia De Sousa Fernandes
    Júlia De Sousa Fernandes

    …. A rainha do céu em seu humilde trabalho doméstico… Que exemplo perfeito para nós mães, donas de casa….😊❤

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