Eco da Santa Casa – Abril de 2025

5–7 minutos

Ave, Regina Lauretana!

Caríssimos Zeladores da Pia União, que a graça de Deus Nosso Senhor habite sempre em vossas almas. Assim seja!

Diletíssimos filhos da Santa Igreja, zeladores e devotos da Santíssima Virgem Maria, Rainha e Senhora Nossa de Loreto, eis que, por mercê divina, encerramos mais um mês e adentramos o novo, este de abril, no qual nos será dado celebrar os augustos mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e Rei Eterno.

No último domingo, celebramos o Domingo Laetare — “Alegrai-vos!” — instituído pela Santa Madre Igreja como esperança em meio ao rigor quaresmal, a fim de que nossos corações se reanimem à vista da proximidade da gloriosa Páscoa do Senhor. Todavia, irmãos caríssimos, ainda permanecemos no tempo da penitência, da conversão e da emenda de vida. É pois neste espírito que desejo tratar de uma chaga espiritual que se alastra em nossos dias: a tibieza.

Vivemos tempos de trevas e confusão. No seio dessa crise sem precedentes, observa-se com pesar uma profunda tibieza entre os fiéis católicos. E não me refiro àqueles que, infelizmente, jazem nas garras do modernismo e das falsas doutrinas, mas àqueles que, por misericórdia divina, foram conduzidos à luz da verdadeira fé, à verdadeira Missa, à verdadeira Igreja de Cristo.

A nós foi concedida uma graça incomensurável: ver, com clareza, a distinção entre a falsa fé e a verdadeira religião. E que fazemos com tal dom celeste? Olhemos em redor — que vemos senão um mundo entregue à impiedade, caminhando a passos largos rumo à perdição eterna? E, no entanto, o Senhor, em Sua infinita bondade, nos retirou as escamas dos olhos. E que resposta temos dado a tal favor?

Quando ainda estávamos mergulhados no erro, iludidos pelas aparências do catolicismo conciliar, muitos de nós servíamos com dedicação e zelo: envolvíamo-nos em movimentos, associações, grupos de oração, ofertávamos com generosidade, contribuíamos com nosso tempo, forças e bens, crendo, ainda que de modo imperfeito, que servíamos ao Senhor. Porém, hoje — quando enfim conhecemos a verdade — onde se encontra esse mesmo fervor?

Infelizmente, observo que muitos que outrora se dedicavam com ardor, hoje, mesmo reconhecendo a crise da Igreja e aderindo à posição reta do Sedevacantismo, caíram na frieza e na indiferença. Que paradoxo! Justamente agora, que servimos à verdadeira Igreja de Cristo, tornamo-nos inertes e apáticos.

Sim, irmãos, reina entre nós uma fria indolência! Onde se oferece a Santa Missa com dignidade, o que se vê? Pouco zelo, pouco amor. Chega-se atrasado a Santa Missa, negligencia-se a limpeza e a manutenção da Capela, descuida-se do dízimo e das esmolas, ignora-se a necessidade de sustentar a formação de novos sacerdotes e religiosos. Clama-se por padres, mas não se move um dedo para ajudá-los a nascer e florescer. Poucos se oferecem para servir; muitos vêm à Missa e, mal finda a ação de graças, deixam o templo como que fugindo de Deus. Tornamo-nos, em muitos casos, católicos apenas de domingos e dias de guarda. Pergunto-vos, então, caríssimos irmãos: onde está aquele zelo primeiro, aquele fervor de outrora?

Permiti-me, com humildade, partilhar uma lembrança da infância deste vosso servidor.

Sou natural das terras benditas de Pernambuco, onde, a despeito do modernismo, ainda se guardam com amor certas tradições da fé católica. Minha paróquia de origem é dedicada a Nossa Senhora de Loreto — origem, aliás, de minha devoção particular à Santa Casa. Ora, todos sabem que o mês de maio é consagrado à Mãe de Deus, e, por isso, em minha terra é costume rezar, diariamente e em comum, o Santo Terço e a Ladainha da Santíssima Virgem.

Recordo-me, com viva emoção, de um dia de maio em que uma chuva torrencial alagou as ruas e penetrou na igreja. Qual não foi meu assombro ao ver aquelas piedosas senhoras — a maioria já sexagenárias — dentro do templo, com a água pela cintura, rezando o Terço e entoando a Ladainha, como se nada houvesse ocorrido. Nada as demovia daquele louvor mariano. Aquela cena marcou profundamente minha alma. Quem de nós, hoje, faria o mesmo? Muitas vezes, por um mero incômodo ou dor passageira, deixamos de comparecer à Missa ou às devoções da Capela. Que lição nos dão essas simples velhinhas! Que aprendamos delas a amar verdadeiramente a Deus e à Virgem Santíssima!

Convido-vos, pois, nesta santa Quaresma, à conversão sincera e à reforma de vida. Lembrai-vos, especialmente vós, nossos estimados Zeladores, do augusto lema de nossa Pia União: “Zelus domus tuae comedit me” — o zelo por tua casa me consome! Sejamos abrasados de zelo pela Casa do Senhor! Dediquemo-nos de corpo e alma à causa do Reino de Cristo e de Sua Igreja. Não nos limitemos às redes sociais: façamos obras reais, substanciais, concretas!

Coragem! Fé viva! Amor ardente a Deus! Zelo fervoroso! Santidade de vida! Eis o que ardentemente desejo para todos vós!

Enfim, partilho convosco algumas boas novas referentes à nossa Pia União.

Por ocasião da Semana Santa do ano da graça de 2025, que será celebrada, se Deus quiser, em nossa Capela dedicada à Virgem de Loreto, situada no Seminário Seráfico São Boaventura, em Itatinga/SP — casa Frades Menores —, foi iniciada, por mercê de Deus e generoso auxílio dos Reverendos Frei Francis Miller e Frei Pacífico Maria, a reforma da Capela, a fim de torná-la mais digna e ornada para a celebração dos Santos Mistérios.

A obra segue em andamento, e muitas outras novidades serão compartilhadas, se Deus permitir, na intenção do próximo mês. Desde já, elevo a mais sincera gratidão a todos os benfeitores que, com suas ofertas, tornaram possível essa realização.

Deixo, por fim, o link com a programação completa da Semana Santa de 2025. Recomendo vivamente que todos os nossos amados Zeladores se esforcem por estar presentes nestes dias santificados pela Paixão do Redentor.

Agora vamos a intenção do mês!

INTENÇÃO DO DIRETOR GERAL – Abril de 2025

  • Nas Intenções privadas”
Virgo Lauretana, ora pro nobis!

Deve-se rezar esta oração de oferecimento todos os dias:

“Ofereço-vos, ó meu Deus, em união com o Santíssimo Coração de Jesus e pelo Coração Imaculado da Santíssima Virgem Maria Rainha de Loreto, as orações, obras, penitências, sofrimentos e alegrias deste dia, em reparação de nossas ofensas e por todas as intenções pelas quais o mesmo Divino Coração está de contínuo a interceder e sacrificar-se em nossos altares. Eu vos ofereço de modo particular pelas intenções recomendadas aos Zeladores da Pia União da Santa Casa de Loreto neste mês e neste dia e pelo Diretor Geral de nossa Pia União.”

Sob o Patrocínio da Rainha e Senhora Nossa de Loreto,

Frei Serafim Maria da Santa Casa de Loreto, O. F. M. Sub

(Diretor Local)

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