Ecce concipies in utero et paries filium, et vocabis nomen eius Iesum — “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus” (Lc 1,31).
Sumário: Eis como Maria, enquanto em sua casa suplica a Deus pela vinda do Redentor, vê um anjo que a saúda e lhe anuncia ser ela mesma destinada a ser Mãe do Salvador. A humilde Virgemzinha, julgando-se demasiadamente indigna de tamanha honra, fica toda perturbada; mas, afinal, dá o consentimento, e naquele mesmo instante o Verbo Divino se torna seu Filho.
Ó grande Mãe de Deus, vós, tão privilegiada e tão humilde; nós, tão pecadores e tão orgulhosos — obtende-nos a santa humildade.
Querendo Deus enviar seu Filho para se fazer homem e, assim, remir o homem perdido, escolheu-Lhe uma Mãe virginal — entre todas as virgens, a mais pura, a mais santa e a mais humilde.
Enquanto Maria estava em sua pobre casa, suplicando a Deus pela vinda do Redentor, eis que lhe aparece um anjo que a saúda e lhe diz: Ave, gratia plena; Dominus tecum; benedicta tu in mulieribus — “Ave, cheia de graça: o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres”.
Que faz a humilde Virgenzinha ao ouvir palavras tão elogiosas? Não se desvanece, mas cala-se perturbada, julgando-se indigna de tais louvores: Turbata est in sermone eius — “Turbou-se com as suas palavras”.
Ó Maria, vós tão humilde, e eu tão orgulhoso: obtende-me a santa humildade.
Mas, ao menos, aqueles louvores não fizeram surgir em Maria a ideia de que, porventura, fosse ela escolhida para Mãe do Redentor? Não; serviram tão somente para fazê-la entrar em grande temor, de modo que foi preciso que o anjo a animasse a não temer, pois havia achado graça diante de Deus.
E então anunciou-lhe que era escolhida para ser Mãe do Salvador do mundo: Ecce concipies in utero, et paries filium, et vocabis nomen eius Iesum — “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus”.
Ora, pois, assim lhe fala São Bernardo: por que tardais, ó Virgem Santa, a dar o consentimento? O Verbo Eterno espera-o para tomar a natureza humana e fazer-Se vosso Filho; também o esperamos nós, que estamos, infelizmente, condenados à morte eterna.
Se consentirdes em ser Mãe do Redentor, todos nós seremos livres da morte eterna. Respondei, Senhora, depressa: não retardeis mais a salvação do mundo, que agora depende de vosso consentimento.
Mas, felizmente, eis que Maria já responde ao anjo: Ecce ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tuum. Eis aqui, diz a Virgem, eis aqui a escrava do Senhor, obrigada a fazer o que seu Senhor ordena.
Se Ele escolhe uma escrava para Sua Mãe, não se louve a escrava, mas unicamente a bondade do Senhor, que Se digna honrá-la assim.
— Ó bem-aventurada Virgem Maria, quanto soubestes agradar, e ainda agradais, a vosso Deus! Tende piedade de mim!
Ó Virgem Imaculada e Santa, das criaturas a mais humilde e a maior diante de Deus! Éreis bem pequena a vossos próprios olhos, mas, aos olhos de vosso Senhor, éreis tão grande, que Ele vos elevou a ponto de vos escolher para Sua Mãe.
Dou graças a Deus por vos ter elevado tão alto e me regozijo convosco ao ver-vos tão unida a Deus, que mais o não podia ser uma simples criatura.
Vendo que juntais tamanha humildade a tantas perfeições, envergonho-me de aparecer diante de vós, orgulhoso como sou, não obstante tantos pecados. Mas, miserável como sou, quero saudar-vos.
Ave Maria, gratia plena: vós sois a cheia de graça — obtende-me uma parte dela. Dominus tecum: o Senhor foi sempre convosco, desde o primeiro instante de vossa existência, mas a vós Se uniu muito mais estreitamente, fazendo-Se vosso Filho.
Benedicta tu in mulieribus: ó mulher bendita entre todas as mulheres, obtende-nos também as divinas bênçãos.
Et benedictus fructus ventris tui: ó feliz planta, que destes ao mundo tão nobre e santo fruto!
Sancta Maria, Mater Dei: ó Maria, reconheço que sois verdadeiramente Mãe de Deus, e, em defesa desta verdade, pronto estou a dar mil vezes a minha vida.
Ora pro nobis peccatoribus: se sois Mãe de Deus, sois também Mãe da nossa salvação, Mãe dos pobres pecadores, porque, para salvar os pecadores, foi que Deus Se fez homem. E se Ele vos fez Sua Mãe, é para que vossas orações tenham a virtude de salvar qualquer pecador. Rogai, então, por nós, ó Maria.
Nunc et in hora mortis nostrae: rogai sempre — rogai agora, em que estamos expostos a mil tentações e perigos de perder a Deus; mas rogai, sobretudo, na hora de nossa morte, a fim de que, salvos pelos merecimentos de Jesus Cristo e por vossa intercessão, possamos ir saudar-vos e louvar a vosso divino Filho e a vós, no Céu, por toda a eternidade.
“Ó Deus, que, mediante a embaixada do anjo, quisestes que vosso Verbo tomasse carne no seio da Bem-aventurada Virgem Maria: concedei-me que, assim como a venero como verdadeira Mãe de Deus, seja também ajudado por sua intercessão junto a vós. Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo.”
(Fonte: Meditações para todos os dias do ano – Santo Afonso Maria de Ligório)

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