Peregrinação à Santa Casa de Loreto: Devoção e Significado

3–5 minutos

Ecos da Santa Casa ressoam em todas as Igrejas Católicas do mundo. A Ladainha de Loreto é cantada diante do Santíssimo Sacramento quando o Salvador do mundo vem dar Sua Bênção. Esta auréola de glória que cerca a Santa Casa ensina os fiéis a reconhecer na humilde Morada venerada em Loreto o Lugar Sagrado da Encarnação, de onde surgiu a Divina Vítima que adoramos sobre o altar. Esta auréola toma o lugar da estrela para os Magos; ela nos convida a partir e seguir até chegarmos à abençoada Morada.

É em sua Maternidade Divina que consiste a grandeza de Maria; e é seu vínculo de ternura maternal com Jesus de Nazaré que produz em nossos corações confiança e amor. Temos necessidade de socorro? Esta é a Casa daquela que é a “ajuda dos cristãos”. Desejamos consolação neste vale de lágrimas? Esta é a Casa daquela que é o “consolo dos aflitos”. Temos enfermidades de corpo ou alma? Esta é a Casa daquela que é a “saúde dos enfermos”. Somos atormentados pela lembrança de nossos pecados passados? Esta é a Casa daquela que é o “refúgio dos pecadores”. Sentimos necessidade de Graça? Esta é a Casa daquela que é a “Mãe da Divina Graça”. Aqui, onde S. Gabriel a proclamou cheia de graça, ela distribui aos necessitados a abundância da graça de Deus.

A devoção a Maria em sua sagrada Morada data do início do cristianismo. Durante os séculos XVIII, a Santa Casa foi um grande objeto de peregrinação. Em Nazaré, por mil e duzentos anos, recebeu as visitas de Santos, cruzados e peregrinos de todas as nações. Em Loreto, durante seiscentos anos, os homens mais eminentes, Pontífices Soberanos, monarcas, Príncipes da Igreja e do mundo, filósofos e teólogos, homens de todas as classes e graus de realização, desde as mentes mestras de cada época até os mais analfabetos, foram prestar homenagem a este maravilhoso Santuário.

Uma peregrinação à Casa Santa é equivalente a uma à Palestina. Sua Translação para a Europa foi uma partição dos Lugares Santos entre o Oriente e o Ocidente: o Oriente retém as Cavernas Sagradas em Nazaré e Belém; Deus deu ao Ocidente a sagrada Câmara da Encarnação. O Oriente mantém o lote de terra santificado pela Imaculada Conceição e a Natividade de Maria; Deus transmitiu ao Ocidente o Quarto real em que ela foi concebida e nasceu. O Oriente possui o Santo Sepulcro, a morada de Cristo quando morto; Deus concedeu ao Ocidente a posse da Casa em que Ele viveu.

É em meio a essas poucas pedras pequenas extraídas da rocha em Nazaré que Aquele que era o Herdeiro de todas as coisas tomou Sua palavra terrena, aqui curvado diariamente sobre Sua humilde tarefa. Aquele que pelo sopro de sua boca poderia arrancar todos os cedros do Líbano, aqui pacientemente forma jugos e ara esta madeira da floresta. Trabalho duro! Humilhação e grandeza! O divino Carpinteiro estava construindo o caixão do paganismo, de onde o homem surgiu ressuscitado e transformado.

Dentro dessas Muralhas sagradas foram inauguradas as verdadeiras civilizações das nações. Esta Casa é o ponto central de onde a Igreja se espalhou pelo mundo. É o lugar de onde primeiro surgiram a graça e a esperança que agora alegram os corações dos cristãos.

É de joelhos e com o coração transbordante de gratidão que devemos contemplar esta Casa na qual o Redentor se preparou como Profeta para a Sua missão e como Vítima para a Sua imolação; esta Casa que Ele nunca abandonou até o momento em que saiu para evangelizar o povo e carregar a Sua Cruz até o Calvário.

Somente os pés dos anjos são dignos de atravessar este limiar; mas a voz de Maria nos tranquiliza, convidando-nos a entrar em sua casa.

Ao entrar na Morada sagrada, o peregrino parece estar em Nazaré. O Divino Mestre está lá e fala com Sua bendita Mãe, olhando-a com um olhar de infinito amor.

Não é um sonho que entramos na Casa de Maria: é uma grande realidade. Você verá a humilde Morada onde o Rei dos reis passou Seus dias escondidos. Você verá os Muros que abrigaram o Fundador da Igreja que é construída com cimento eterno. Você verá a Porta pela qual Ele passou, o único que pode abrir para nossas almas o portão do Céu.

Existe melhor meio de nos prepararmos para a vida eterna do que ir visitar este Paraíso terrestre? A peregrinação reacenderá em nossos corações o fogo do amor divino que foi quase extinto pelos cuidados e paixões desta vida; ela nos fortalecerá em nossas tentações e provações, e nos proporcionará o sublime consolo de uma morte feliz. Por todos os dias restantes de nossa vida na terra, o nome da Santa Casa reviverá em nós memórias de alegria inexprimível, o antegozo da bem-aventurança eterna.

FONTE: “LORETO THE NEW NAZARETH AN ITS CENTENARY JUBILEE” – POR WILLIAM GARRATT M. A. – 1895.

Deixe um comentário